terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Este é o nome dela

Um nome não precisa ser gente.
Não importa se a pessoa será alta, taracada, magra, fora de peso, branquinha,com os olhos pretinhos ou cabelo sarara.
O nome pode ser pequenino, enorme, composto, silabal, apelido, como o nome de um principe, ser a junção do começo do pai com o final da mãe, indicar o País de origem, mas só será nome quando for chamado pelas pessoas. E quando as pessoas passarem a lhe identificar nele.
Por exemplo, o João é chamado pelo melhor amigo de Jonh, pela mãe de Juba, pelo vizinho de Joãozera, mas pela namorada de Amor. Que importa o tempo que a família perdeu escolhendo o nome. Se ele é padeiro ou DJ, ele sempre será o amor da vida dela.
Então pra que complicar? Seu nome pode indicar sua personalidade se você tiver pessoas a sua volta. Sozinho, que importa se trocarem o E por H, tirar um L, terminar com M. Os que te amam sempre vão lhe chamar de Amor. E ponto, acabou.
Um nome não precisa ser gente. Um nome há de ser gentil.

Vá pro diabo!

Ela estava atrasadíssima para uma reunião de negócios. Mas com um buço "desse" tamanho. Buço foi um nome científico para designar todas as mulheres de bigode, igual amilase pra falar de beijo, por exemplo. Eu prefiro dizer que são doses elevadas de hormônio. Mas como ainda sou muito feminina, corri para farmácia e comprei um daqueles produtos da TV que tiram tudo em 3 minutinhos. Na hora eu nem vi. Não ficou avermelhado, não tive reação alérgica, não deixei mais tempo do que sugerido na bula, não troquei por produto específico de perna para rosto, nada disso. Mas depois de uma semana vi que os pêlos voltavam a crescer e a pele tinha se queimado ficando levemente escurecida. Fui encontrar com o gatinho, era nosso aniversário de namoro e a pinça havia sumido. Adivinhem? Mais uma dose de Veet Creme.
E linda, lindíssima, uma noite inesquecível para meus lábios. Agora sim, o outro lado também estava queimado. Bem. eu gostaria de terminar esse texto dizendo que mulher de bigode nem o diabo pode. Mas preferi dizer o porquê.
Agora que todo mundo pensa que sou bigoduda, passam a me olhar diferente. Parece desleixo, falta de vaidade. Ou seja, agora me tornei um homem e ainda reclamam que estou grossa como tal. Saudades daqueles tempos em que o bigode era só de leite.

Voltar pra casa

Eu sempre me questionei porque eu voltei pra Ribeirão Preto. O que eu tinha perdido aqui para o destino ter me obrigado a fazer essa volta pra dentro de mim mesma. Talvez tenha sido decisivo pra ver que eu nada esqueci. Que tudo que aprendi aqui não foi só um sonho como eu costumava a dizer, mas uma realidade que transformei no que sou eu, no que busco pra minha vida e de uma forma muito maior e dimensionada.
Tentei fingir pra mim mesmo que a cidade é que tinha mudado. Agora estava um caos em relação ao calor e ao trânsito. E a vida universitária sem meus 18 anos não tinha mais aquele encanto.
Mas foi voltando das férias, umas férias desastrosas por sinal, que percebi ao abrir a porta daquele apartamento que estava novamente salva e feliz. Foi a então sensação de voltar realmente pra casa. Me senti renovada e pronta para começar o ano não sei se fazendo o que vim fazer aqui, mas fazendo o meu melhor.
E pensei nas coisas boas que conquistei, nesta segunda chance de me melhorar, resolvendo então falar de uma delas em especial.
A Cacau, uma amiga linda, que de tudo reflete luz: no sorriso, nos cabelos, nos olhos, na inteligência, na maneira de falar e se portar com as pessoas.
Ela sabe como fazer. Com todo seu charme despretensioso, é agradável e simpática até no tom de voz que usa. E foi dessa maneira que me conquistou. Como um presente, me estendeu os braços e abriu o coração. Me deu o cargo de melhor amiga e ensinou a passar blush também na pontinha do nariz pra parecer sempre bronzeada, viva. Me emprestou sua blusa preferida, apresentou sua sorveteria de infância, e contou segredos que nunca ninguém jamais soube. Depois ela me deu espaço pra eu conhecer outras pessoas e voltar a ela com a certeza de que já erámos ligadas por algo maior. E principalmente, me ensinou a olhar Deus de uma maneira mais próxima, como uma criança que sempre seremos diante Dele.
Obrigada por tudo, por dividir comigo um pouquinho dessa luz, sem pedir nada em troca.
Te amo. Você merece ser muito feliz. Não importa aonde eu vá, você sempre será como voltar pra casa.