Já me disseram que o amor é uma balança. Só se encontra o equilíbrio quando duas pessoas amam igual. Isso mesmo: 50% para cada, sem discussão.
Certa vez, ousei amar mais do que o outro. O meu amor era tão grande, tão 90 por cento, que acabou sufocando.
Eu tava ali lindona oferecendo trufas de chocolate, flores ao amanhecer, poemas de espadas e coroas, sorrisos e um colibri enquanto ele estava pescando para se esquecer que chocolate engorda, que plantas precisam ser regadas, poemas lidos em voz alta e toda canção deve vir do coração.
Um dia ele me deu de presente um violão. No outro, foi embora. Foi aí que aprendi a ouvir mais as pessoas. Sei que conselho se fosse bom não se dava. Mas para fazer exatamente o contrário, alienado,o preço é alto.
Daí passei a amar menos. Para que brigar se temos tão pouco tempo? Se você não quer, não vou forçar. Só está com o outro quem é capaz de ceder. Ceder ao menos seu melhor olhar de admiração. Parece blasé, mas depois das feridas, era o mais passional que eu poderia ser.
De dia beijinhos e a noite, quase madrugando, o destino entra na porta que se abre com o vento, com suas pernas compridas, dando uma rasteira ao me dizer: - Quantas vidas já viveu nestes últimos 6 anos? - Quem você se tornou? - Sabe que ainda vai mudar muitas vezes, não é mesmo?
Sei sim. E por saber, passei de um dia para o outro dos 34% aos 110%. Deixando ele com aquela cara de quem estava em débito (negativo, ainda por cima) e de não saber o que fazer com tanto amor. Cansado, renegou o dia em que cativou e por isso é ficou responsável por quem cativastes.
Todos nós um dia cansamos, a gente não costuma é contar pro outro. Fala pro melhor amigo, pro psicólogo, até pro chefe...rsrs. Juro, o chefinho ajuda muito. Mas passa. Principalmente se a gente conseguir virar fumaça, estar ali mas não se fazer de vitima, não cobrar nem perguntar "o que eu fiz?"
A pior parte é quando o choro vem compulsivo, cortante, IRRITANTE para falar a verdade. Não adianta dizer "pega na minha mão, não me deixe morrer". Se enxergar sozinho, sofrer antecipado, também não resolve bulhufas. Porque vai passar e quando passar é sua vez de dizer: eu também não estou satisfeita. E começar tudo de novo.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Que a dor passe, o amor nunca.
Percebi que não tinha lugar para nós dois. A sorte é que não era tarde demais, pensei.
Quando o ciúme chegou fui logo dando-lhe uma voadeira e deixando bem longe de atingir meu peito. Ele não iria me ferir. Nem a mim, nem ao meu bem. Era infantil, sem sentido. Eu nunca senti isto antes e por isso mesmo esta arma destruidora não me pertencia. Tratei de exorcisar os medos com uma gastrite maldosa, mas não fui cobrar, não apontei, não deixei ninguém saber (muito menos ele) deste surto momentâneo, sem propósito.
Aí a insegurança tomou seu lugar. Bastou o ciúmes curvar a esquina. Veio cheia de si me dizer: - Como vai ser 50 dias sem ele? Como vai se virar? Pagar as contas? Respirar? E se ele se acostuma e esses dias viram por toda a vida? Como posso apoiar e ao mesmo tempo deixar claro que estarei morrendo lentamente de saudades?
Depois chegou a possessividade se achando a rainha do pedaço. -Tenho o reconhecimento de tudo que sempre fiz pra ele? -Ele dá o valor que mereço? Está me amando cada dia mais?
É hora de traçar um plano. Como ser feliz nos momentos em que ele não pode estar comigo? Como não cobrar, fazendo-o carregar todo o peso desta responsabilidade que nunca foi dele? Como ajudá-lo nas tarefas de casa sem que ele precise me pedir? O que ele espera de mim? Como posso ajudá-lo e me ajudar? Ou simplesmente paro de pensar nisso e sou quem eu sempre fui, com a mesma dedicação, a mesma paixão, o mesmo olhar para crescermos juntos (sem pressão)?
Aos poucos, mesmo dando lugar agora para a ansiedade cortante, vamos conseguir.
Quando o ciúme chegou fui logo dando-lhe uma voadeira e deixando bem longe de atingir meu peito. Ele não iria me ferir. Nem a mim, nem ao meu bem. Era infantil, sem sentido. Eu nunca senti isto antes e por isso mesmo esta arma destruidora não me pertencia. Tratei de exorcisar os medos com uma gastrite maldosa, mas não fui cobrar, não apontei, não deixei ninguém saber (muito menos ele) deste surto momentâneo, sem propósito.
Aí a insegurança tomou seu lugar. Bastou o ciúmes curvar a esquina. Veio cheia de si me dizer: - Como vai ser 50 dias sem ele? Como vai se virar? Pagar as contas? Respirar? E se ele se acostuma e esses dias viram por toda a vida? Como posso apoiar e ao mesmo tempo deixar claro que estarei morrendo lentamente de saudades?
Depois chegou a possessividade se achando a rainha do pedaço. -Tenho o reconhecimento de tudo que sempre fiz pra ele? -Ele dá o valor que mereço? Está me amando cada dia mais?
É hora de traçar um plano. Como ser feliz nos momentos em que ele não pode estar comigo? Como não cobrar, fazendo-o carregar todo o peso desta responsabilidade que nunca foi dele? Como ajudá-lo nas tarefas de casa sem que ele precise me pedir? O que ele espera de mim? Como posso ajudá-lo e me ajudar? Ou simplesmente paro de pensar nisso e sou quem eu sempre fui, com a mesma dedicação, a mesma paixão, o mesmo olhar para crescermos juntos (sem pressão)?
Aos poucos, mesmo dando lugar agora para a ansiedade cortante, vamos conseguir.
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