quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Look do dia: chove, chuva.

Aí está chovendo? Porque onde moro não dá pra ter a mínima noção do que vai acontecer quando saio cedo de casa.

Pode fazer um calorão da $%^&#^%*. Pode vir um vento oeste que te pega de costas e arrepia a espinha. Pode cair uma chuva não sei de onde, sem avisar. Como nunca carrego o guarda-chuva a tiracolo, não custa proteger os pézinhos.

A Fê sabe disso. Olha como ela usou a calça skinny azul royal por dentro das galochas. Uma camisa cinza larguinha contrapõe com o terno beje e uma echarpe do mesmo tom: nude, nude, nude. A bolsa Louis Vuitton com o holograma tradicional fica mais atual com detalhes vermelho e em beje.

Aprovada. Faça chuva ou faça sol.


As duas

Eu posso dizer como é estar em suas mãos, sem ao menos tê-las tocado.

Posso dizer de como me sentirei segura, calma, preparada, só de olhar para elas perto de mim.

Dizer que mesmo que não entrelaçem meus sonhos também não desatarão nós.

Eu posso dizer como são macias e ao mesmo tempo fortes, precisas e ao mesmo tempo capazes de dar um novo sentido a linha da vida, firmes determinando um caminho que eu seguiria de olhos fechados.

Mas isso não é quem você é, nem quem você pode ser para mim, são só as suas mãos...

... que um dia encostaram em meu ombro, desavisadas, perguntando onde fica a rua tal e desde então só imagino uma próxima oportunidade de recuperar a minha fala e dizer: você está nela, é bem aqui.

Ofendidinha de uma figa

Que boba eu sou de achar que de tudo dá para tirar alguma história - linda, empolgante, engraçada, romântica – capaz de arrancar um sorriso despretencioso, provocar um calorzinho no peito.

Que idiota eu sou de achar que posso fazer da minha história uma troca de experiências onde cada capítulo se entrelaça e só pode terminar em flores, poemas e trufas de chocolate.

Que estupidez colocar acima de todas as coisas – do bem, do mal, da rotina, do vento frio que te surpreende numa noite em que esqueceu o casaquinho – a ilusão do amor.

Como diz o meu irmão: você está sendo muito mulherzinha! achando que as pessoas não escolhem mais as palavras certas, julgando o silêncio como insensibilidade, interpretando cada vírgula como ponto final e principalmente, querendo levar esse assunto adiante até que se esgote todos os mal entendidos que nem chegaram a existir.

Desculpa aê homenzinhos. É que eu tô carente.

Elas só servem para te confundir: opiniões.

Tem que ser muito corajosa.
(Bom, eu já fui morar sozinha no exterior, né?)

Mas você não precisa disso.
(Eu não vou desistir se você me disser. Eu tenho espelho. Só me dê um pouquinho da sua sensibilidade).

Eu acredito que você consegue com um mínimo de esforço.
(E com o máximo? Porque para mim será o auge de um sacrifício - que jamais imaginaria passar).

Você já fez isso 1 milhão de vezes. Pode fazer 1 milhão e uma.
(Sim, mas devo ter feito errado, né? ou não aprendi nadinha).

Para mim, só como última alternativa.
(Para mim também, a próxima vez que eu perder o ar subindo uns degraus não vai ter mais volta).

Você tem que fazer isso por você.
(Por quem mais eu deixaria de fazer o que mais amo nesta vida? Você? Afe).

Você já pensou na cicatriz?
(Com cirurgia ou sem, não tenho nada que me orgulhe para se mostrar).

Como pode garantir que vai conseguir?
(Se eu não conseguir, posso explodir. Que tal?)

Se tudo der certo, qual o seu próximo plano?
(Algo revolucionário, capaz de salvar o mundo, responsável pela paz mundial: a minisaia).

E qual a cantada te deixaria mais comovida?
(Vai CURINTHIA!)

Você sabe que vai mudar sua vida pra sempre?
(É tudo o que mais espero).

Só se você for mulher...

Sempre vai haver aquele dia em que você não acorda bem e ao longo das horas vai percebendo que nem devia ter levantado.

Sempre vai haver aquele dia em que seu cabelo está sem brilho, sem cor, uma imensa palha de aço usada e seria a última preocupação que gostaria de ter na cabeça.

Sempre vai haver aquele dia em que você fica imensamente feliz por ele te ligar no meio da tarde porque não aguentaria esperar até a noite pra contar como foi a manhã, nem que para ele seja só pra preencher o espaço sozinho em uma caminhada de volta para casa.

Sempre vai haver aquele dia que você vai se sentir tão sozinha que um eu te amo que vem da pessoa errada não vai te salvar.

Sempre vai haver aquele dia com caminhos para percorrer, escolhas erradas, saídas sem rumo, estacionamentos que cobram seu rim por hora.

Sempre vai haver aquele dia com sentimentos de contradição coxixando em cada um dos seus ouvidos, fazendo você se confundir entre o que é certo e o errado repetivamente.

Sempre vai haver aquele dia que você tem certeza que depende só de você modificar o que não gosta, mas que mais uma vez vai ter que deixar para amanhã, porque para hoje você já tem tarefas demais.

Sempre vai haver aquele dia que você vai preferir depositar a culpa no outro, a motivação no outro, e quando olhar pra você mesmo ver que sobrou algo tão leve de carregar mas que ainda assim vai tentar a telepatia para movê-lo do lugar.

Sempre vai haver aquele dia que a ansiedade é tanta que você quer brigar com o primeiro que falar bom dia e desenrolar uma polêmica a respeito do que é bom, o que é dia, bom dia só se for pra você, e por quê você está sendo tão irônico e insensível, afinal o que você diz importa para mim.

Sempre vai haver aquele dia que a conta não fecha, a fila do pronto socorro é um deus nos acuda, o pneu do carro furou, e sim, mas vale uma pessoa que faz tudo por você do que contratar uma doméstica que vai acabar tirando sua liberdade e exagerando no sal.

Sempre vai haver aquele dia que você vai preferir esperar 2 horas por um ônibus em uma esquina fria do que saber que entrou em um táxi aproveitador que vai roubar cada centavo do seu porquinho que demorou vidas para juntar.

Sempre vai haver aquele dia que você vai acordar feliz por nada, triste por pouco, eufórico por ninguém, realizado por você mesmo e quando molhar o rosto e se olhar no espelho vai deixar escorrer pelo ralo tudo aquilo que estava sentindo.

Sempre vai haver aquele dia que você vai querer gritar: é o que tem pra hoje. Me abraçe mais forte do que pode, pois posso mudar de ideia ainda no meio do abraço.