Quando eu te vejo, a última coisa que quero é brigar. Por isso não brigo.
Quando eu te vejo e nós nos encontramos, me esqueço de todas as angustias do dia. Do quanto eu quis te ligar aos berros sugerindo algum rompante (salve-me ou mate-me) mesmo que seja para começar uma briga sem motivo algum.
Quando eu te vejo, os poucos minutos que está de frente a mim, não queria ter que pedir socorro, colo ou uma declaração de amor intempestuosa. Prefiro me recolher aos meus pensamentos e silenciosamente olhar seus olhos de promessa em busca da primeira impressão.
Me lembro do brilho que eles tinham quando me ouviu sorrindo pela primeira vez, e depois, mais tarde, eu de branco e você perplexo e encantado, só conseguindo dizer SIM a proposta de passarmos o resto da vida juntos.
E quando você interrompe este silêncio com um beijo (breve, curto, em que meus lábios mal triscam o seu) já posso dormir com o coração mais tranquilo e até me arrisco a sonhar.
É uma pena que na manhã seguinte já não sei de mim, aguardo ansiosamente pela noite como se me bastasse acreditar que ao menos você está feliz. Mas não me basta.