domingo, 17 de fevereiro de 2008

Odeio visitas

As coisas comigo costumam ser assim: ou odeio, ou amo.
Na verdade é assim que me expresso mas quem me conhece sabe dos meus exageros, até ri deles. Sou bem flexível em vários assuntos. Por exemplo, odeio verde. Não como salada. A alface me olha de cara feia toda vez que chego perto dela. Mas sou capaz de comprar 3 blusinhas diferentes pra impressionar o mocinho que adora a cor. Odeio animais. Eles sabem muito bem disso mas seus donos não precisam ficar sabendo. Então calço bota, arregaço as mangas, e sou capaz de passar 3 dias inteiros numa fazenda subindo em pé de manga e acariciando os bixanos. Mas tem uma coisa que não dá pra entender. Por que amo viajar, encontrar a família, fazer visitas e odeio que as pessoas queiram vir passar uns dias na minha casa? Será que não fui preparada pra ser uma boa anfitriã? Não sei o que falar, o que servir e principalmente como devo me portar? Será que essa sensação toda de estranhamento que tenho é porque essas pessoas não foram convidadas. Ou porque não acho o meu lugar e preciso estar correspondendo a tudo que as pessoas esperam de mim: como acordar na hora certa, criar roteiros turísticos e rezar pelo meu cantinho de paz? Estranho, porque também odeio ficar sozinha. ODEIO. Fico louca quando estou sozinha como agora. Mas por favor, não apareçam de surpresa.

Seu nome diz tudo?

Meu nome não é Ellen.
Ellen foi apenas uma namoradinha de infância do meu pai que não dava a menor bola pra ele.(Ao menos foi nisso que me fizeram acreditar quando criança).
O nome não é sonoro, não é brasileiro e a globalização nem havia tomado conta do nosso País para darmos mérito aos seriados americanos.
Então: Ellen is a nurse? Longe disso. Prefiro dizer que sou uma estudante já que até hoje, mesmo diplomada, não sei explicar a profissão Redatora Publicitária em outros idiomas.
Sempre vivi sem achar nada do meu nome. Apenas não pensava nele. Não me importava se escreviam com H, com L, ou M no final. Ele também não rendia piadinhas tolas e nunca rimou com nada.
Até que um dia, na bilheteria do cinema, a atendente muito espontânea abriu um sorriso: - Vou dar o nome da minha filha de Ellen. Estou no 8 mês de gravidez e comprei esse livro. Aqui diz que Ellen significa LUZ.
Olhei para o livro só pra conferir e entrei toda cheia no cinema. Embora meus pais não tivessem qualquer intenção, agora eu era LUZ.
É por isso que gosto tanto do dia, do sol e de refletores? Desde já pensei que poderia render um bom nome para o CD que um dia farei. Mas luz? Não sou muito presa a religiões e não é nada comercial me vender como Evangélica já que não se trata disso.
Pois bem: luz do sol. É assim que me sinto a partir daquele dia.
Quanto a minha carreira internacional preferi adotar o pseudônimo de SUNSHINE.
Me lembra uma canção bem simples de reggae ou algo do gênero, que tocava quando tinha 15 anos. E também parece um modo carinhoso de ser chamado por alguém querido.
E tudo que eu quero na vida é isso: ser querida. Chamando ou não, Ellen.