sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Coração na boca

Eu juro que queria dormir no hospital, mas não tinha nenhum apartamento disponível. Tivemos que ficar na enfermagem. Ele, em uma maca desconfortável. Eu, em uma cadeira dura ao lado. E se não fosse pelas outras pessoas da "cortina vizinha" colocávamos o papo em dia a madrugada toda. Era clima de cinema com pipoca. Só faltava a TV, o ar-condicionado, a comilança e os "bons drink". Puts, acho que quebrei a cadeira.

Ficamos lá trolando Deus em troca de uma notícia boa. Engraçado como os médicos ficaram aliviados quando eu cheguei e me confundiram com sua mãe. - Você é a responsável? Bom, eu sou responsável. Mas ele também é. Não teve um infarto porque deixou de ir na academia ou de comer salada na hora certa. Não teve um infarto porque se embebedou e perdeu o rumo de casa. Não teve um infarto porque foi demitido. Nem mesmo porque tirou nota máxima na prova de inglês pra ser aprovado pela embaixada Canadense. Não teve um infarto por isso. Nem sabemos mais se teve mesmo um grande infarto assim, mas posso garantir que foi um pequeno susto.

Ele é muito estressado, ansioso, precisa relaxar. Isso já escutamos mil vezes. Porra meu, ele mora em São Paulo há anos. Já tem até sotaque e a roupa da moda. Nada disso é anormal. Mas a cara dos médicos se entreolhando preocupados com o sinal de interrogação plainando na cabeça: - Você está mesmo sozinho? Não tem ninguém te acompanhando no hospital? Até ele explicar que o cunhado tinha levado mas que eles acharam que o mais grave já tinha passado, o coraçãozinho que a pouco ousou parar tava acelerado no 120.

Coisa linda foi ver que perto de mim ele se acalmava instantaneamente. 87 batimentos foi mais normal. Como quando morávamos juntos e chorávamos juntos e nos curvávamos de gargalhar. Até dá pra perdoar quando ele diz: veio direto do serviço? E eu achando que ele tava falando da cara de acabada e ele completou: essa roupa é medonha(se referindo a camiseta de tricô que era dele e agora fazia parte do meu guarda-roupa no quesito confortável).

Bem, a recomendação é correr pro colo da mãe. Não que eu me sinta impotente que não ser capaz de cuidar do rapaz. Mas eu me sinto IMPOTENTEEEE. Conciliar a vida corrida com a vontade de gritar: para tudo meu amor (ops, tudo menos o coração) é imensa.

Um comentário:

Um sonho a dois disse...

Irmãzinha mais fofa, sei que faz tudo que pode e muito mais...muito bom quando a gente tem alguém "próximo, próximo" da gente, né? Nunca tive irmãzinhas próxima de mim depois do casamento e tive de aprender ser durona com isso,aprender a não se importar. Em compensação o casal fica mais forte, mais cúmplice sem mais ninguém pra dividir os momentos complicados. Pode ter certeza que isso vai acontecer com vc e o seu maridão agora que Theus tá indo...bjs, irmãzinha amiga meio mãe...