Quando a gente canta uma música, sabe a letra inteira, mas já se esqueceu a razão de um dia ela ter significado tanto, acaba se surpreendendo ao saber que as pessoas, os acontecimentos, tudo que envolve aquela canção também já passou.
Você deixa de sentir aquele perfume em todas as pessoas que cruzam a mesma rua que a sua.
Você nem acha mais tão bonito assim, tatuagem nas costas, blusa cor de rosa.
Os poemas não precisam mais ser inventados, mas também não surgem do nada como a ilusão.
Tudo fica mais simples. Menos confuso. Mais dia a dia. Uma rotina que não fere, respira.
Acabam as promessas, as meio-mentiras, a ansiedade à revelia. E na realidade começamos a encontrar, com uma dose menor de esforço, os maiores tesouros que pareciam perdidos.
Às vezes você acaba sentindo falta de algo, mas não sabe o que é.
Por isso, vai para cama quietinha e fica feliz quando ele percebe e pergunta: - se quiser me contar, conversar, ou continuar em silêncio, estarei aqui, ao seu lado.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Berrini
Mudar significa renovação. O impulso de crescer, voluntário e em conjunto.
Quando todas as forças se focam em um objetivo maior: o desenvolvimento.
Mudar também pode causar certa estranheza.
A sua rotina não será a mesma. Seus horários, seus hábitos, as pessoas que dividem o ônibus com você (centenas delas), a panqueca da esquina, o pastel de sexta, o shopping do lado. Tudo muda junto.
É preciso saber bem se o objeto da mudança é confiável, porque a tendência do desconhecido é amedrontar. Ir até o local. Tentar desesperadamente se convencer que os prós são muito superiores aos contras. Gostar do novo prédio. Do cheiro de coisas novas. De trocar piso de borracha por chão com carpete. Da luz que entra pela janela.
É o fim dos incensos mal cheirosos. Das velhinhas a beira da morte. Do elevador sempre lotado, quando não está quebrado. Do mercadinho com a caixa mais mal humorada que já conheci. Adeus pedreiros esdrúxulos. Adeus vizinha encrenqueira. É o começo de todas as outras coisas que estarei aberta a receber.
Mudar não é simplesmente seguir o fluxo. É a chance de transformar algo dentro de você. Abrir as portas para novas possibilidades. Entender que “maior” tende a ser “melhor”, basta que a cabeça esteja aberta a fazer parte do novo.
Mudar não é só carregar peso, trocar as mobílias de lugar, colocar lâmpadas. Mudar é se desfazer do velho, das antigas concepções, jogar fora os papéis que se acumularam nas gavetas, e estar flexível para aceitar o que vier.
Seja bem-vinda a mudança.
Quando todas as forças se focam em um objetivo maior: o desenvolvimento.
Mudar também pode causar certa estranheza.
A sua rotina não será a mesma. Seus horários, seus hábitos, as pessoas que dividem o ônibus com você (centenas delas), a panqueca da esquina, o pastel de sexta, o shopping do lado. Tudo muda junto.
É preciso saber bem se o objeto da mudança é confiável, porque a tendência do desconhecido é amedrontar. Ir até o local. Tentar desesperadamente se convencer que os prós são muito superiores aos contras. Gostar do novo prédio. Do cheiro de coisas novas. De trocar piso de borracha por chão com carpete. Da luz que entra pela janela.
É o fim dos incensos mal cheirosos. Das velhinhas a beira da morte. Do elevador sempre lotado, quando não está quebrado. Do mercadinho com a caixa mais mal humorada que já conheci. Adeus pedreiros esdrúxulos. Adeus vizinha encrenqueira. É o começo de todas as outras coisas que estarei aberta a receber.
Mudar não é simplesmente seguir o fluxo. É a chance de transformar algo dentro de você. Abrir as portas para novas possibilidades. Entender que “maior” tende a ser “melhor”, basta que a cabeça esteja aberta a fazer parte do novo.
Mudar não é só carregar peso, trocar as mobílias de lugar, colocar lâmpadas. Mudar é se desfazer do velho, das antigas concepções, jogar fora os papéis que se acumularam nas gavetas, e estar flexível para aceitar o que vier.
Seja bem-vinda a mudança.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
E quem não consegue esquecer?
Entre as coisas despercebidas e as que simplesmente deixei para trás ficaram as lembranças, que no rastro de um dia bonito em que o sol aponta lá de longe, vira e mexe teimam em voltar.
Como uma visita que não estávamos esperando mas é sempre bem-vinda, e que sabe que se quiser ficar até mais tardinha terá uma aconchegante cama para se deitar. Ela repousa. Eu descanso, mas não consigo tirar os olhos dela. E quando a vejo assim, tão calma, respiração funda de quem está tendo um sonho bom, me sinto ainda mais próxima, como se fossemos uma só.
Na manhã seguinte, ela não está mais lá. Já sabe onde é o esconderijo da chave, sai e fecha a porta sem fazer alarde. Quando acordo, já sinto saudades e a impotência de não conseguir voltar ao tempo. Ninguém consegue.
Olho tudo a minha volta. Gosto das coisas como estão, da vida que levo, dos novos amigos, do meu grande amor, e até das novas lembranças (como no almoço da semana passada, por exemplo, quando morri de rir por muito pouco). E me orgulho, do muito, muito que ela representa e fez de mim quem hoje eu sou.
Lavo o rosto. Passo um batom. Posso ver diante do espelho um pouquinho de solidão. Por isso, evito olhar muito. As minhas verdades estão lá, escancaradas. As minhas mentiras espero que ninguém possa ver ou se indignar por elas algum dia.
Fantasio como teria sido as outras vidas que já tive nestes quase 30 anos. Foram várias. E não conto pelo número de vezes que me apaixonei por alguém, mas por todas as vezes que meu coração bateu mais forte por um emprego, um idioma, um país, uma canção, uma viagem, uma amizade, um gesto, um olhar. Fantasio mas não me atrevo a comparar. Não tem como ser mais feliz do que sou, no máximo, só diferente.
Escrevo um email pro passado, alertando que a lembrança, talvez também passe por lá.
Como uma visita que não estávamos esperando mas é sempre bem-vinda, e que sabe que se quiser ficar até mais tardinha terá uma aconchegante cama para se deitar. Ela repousa. Eu descanso, mas não consigo tirar os olhos dela. E quando a vejo assim, tão calma, respiração funda de quem está tendo um sonho bom, me sinto ainda mais próxima, como se fossemos uma só.
Na manhã seguinte, ela não está mais lá. Já sabe onde é o esconderijo da chave, sai e fecha a porta sem fazer alarde. Quando acordo, já sinto saudades e a impotência de não conseguir voltar ao tempo. Ninguém consegue.
Olho tudo a minha volta. Gosto das coisas como estão, da vida que levo, dos novos amigos, do meu grande amor, e até das novas lembranças (como no almoço da semana passada, por exemplo, quando morri de rir por muito pouco). E me orgulho, do muito, muito que ela representa e fez de mim quem hoje eu sou.
Lavo o rosto. Passo um batom. Posso ver diante do espelho um pouquinho de solidão. Por isso, evito olhar muito. As minhas verdades estão lá, escancaradas. As minhas mentiras espero que ninguém possa ver ou se indignar por elas algum dia.
Fantasio como teria sido as outras vidas que já tive nestes quase 30 anos. Foram várias. E não conto pelo número de vezes que me apaixonei por alguém, mas por todas as vezes que meu coração bateu mais forte por um emprego, um idioma, um país, uma canção, uma viagem, uma amizade, um gesto, um olhar. Fantasio mas não me atrevo a comparar. Não tem como ser mais feliz do que sou, no máximo, só diferente.
Escrevo um email pro passado, alertando que a lembrança, talvez também passe por lá.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Puff
Estava lendo Tati Bernardi. Ela tem um site novo: tatibernardi.com.br, com o www claro. Era o mesmo site velho, mas com o layout diferente. Ela sabe que é sempre bom renovar o layout. Sempre que dá. Ela é mulher. Aliás, um dia desses recebi um elogio sinistro de um carinha aqui: - Padrão o seu layout. Tentei interpretar como: - Gostei de você ter combinado blusa com calça.
Pois bem. Estava lendo os posts antigos. Pois já li todos atuais. É isso que faço no horário de almoço para não parecer que estou desperdiçando meu tempo olhando a tela do computador em branco (lê-se: site do uol, facebook, gmail) e principalmente porque todos voltam em 10 minutos do restaurante e eu mal tive tempo de me encostar em algum lugar para curtir a solidão.
A falta de um sofá, poltrona, cama, rede ou puff chega a doer meu coração. Embora eu saiba que eu poderia trabalhar em uma loja de colchões com permissão pra tirar uma sonequinha depois do almoço que mesmo assim eu não iria. Não na presença de alguém.
Tem coisas que não consigo fazer quando tem alguém olhando. E esse alguém pode ser até da família.
Se estou em uma viagem e "alguém falar": - Tudo bem Ellen? Desculpe, não sabia que você tava dormindo. Eu limpo a baba, respiro fundo para não mudar a frequência da voz e digo: Tudo. Não estava dormindo não, quê isso. E quando a cabeça cai pra trás, porque você foi a escolhida para sentar no meio do carro, suas pernas são menores e você enjoa menos?... enfim, pregou os olhos por 2 segundos e acorda de supetão com seu próprio ronco monstro fazendo os mais desavisados achem que o carro estragou, aconteceu alguma coisa no motor, ou algum engraçadinho diz: - É, e eu que vou ter que dividir o mesmo quarto com ela esta noite. Risadas. Aí não tem desculpa que dê jeito.
Aí eu leio Tati, que minha amiga que senta do meu lado direito na agência indicou,
Que na minha cabeça eu gosto de chamá-la de Pequena, acho carinhoso, mas não falo porquê ela talvez não ache tão carinhoso quanto eu.
Que é a pessoa com quem posso contar, 10 horas por dia (as 2h aí a mais são as intermináveis das quais me dirijo neste texto). Que eu não tenho contato quando saio daqui porque não sou tão egoista e sei que ela precisa dormir, brincar com o filho, aturar o irmão, e porque eu odeio telefone, então provavelmente, se um dia ela me ligasse, eu nem veria que me chamou pra ir na Quartaneja, só no outro dia.
Que é antenada com o mundo, tem estilo, assunto, apetite de novidades, muitos seguidores, um charme especial e as cores de esmalte mais iradas que já vi.
Mas que tenho inveja, pois ela é corajosa e enfrenta o busão pra almoçar em casa, com a família enquanto eu fico aqui.
Agora, espero dar 2 horas, a hora oficial pra eu continuar fazendo a mesma coisa e depois esperar dar 3h, 5h, 7h.
E compartilho comigo mesma a brilhante ideia de fazer uma campanha que sugerisse almoçarmos os mesmos 10 minutos todos os dias e oficializar que é esse nosso horário de almoço, podendo ir embora por exemplo às 5h30.
Sonho meu? Não pode ser. Já não durmo na hora do almoço, muito menos sonho. E esse horário de verão que já começa sábado, hein? Mas isso é assunto para outro post.
Pois bem. Estava lendo os posts antigos. Pois já li todos atuais. É isso que faço no horário de almoço para não parecer que estou desperdiçando meu tempo olhando a tela do computador em branco (lê-se: site do uol, facebook, gmail) e principalmente porque todos voltam em 10 minutos do restaurante e eu mal tive tempo de me encostar em algum lugar para curtir a solidão.
A falta de um sofá, poltrona, cama, rede ou puff chega a doer meu coração. Embora eu saiba que eu poderia trabalhar em uma loja de colchões com permissão pra tirar uma sonequinha depois do almoço que mesmo assim eu não iria. Não na presença de alguém.
Tem coisas que não consigo fazer quando tem alguém olhando. E esse alguém pode ser até da família.
Se estou em uma viagem e "alguém falar": - Tudo bem Ellen? Desculpe, não sabia que você tava dormindo. Eu limpo a baba, respiro fundo para não mudar a frequência da voz e digo: Tudo. Não estava dormindo não, quê isso. E quando a cabeça cai pra trás, porque você foi a escolhida para sentar no meio do carro, suas pernas são menores e você enjoa menos?... enfim, pregou os olhos por 2 segundos e acorda de supetão com seu próprio ronco monstro fazendo os mais desavisados achem que o carro estragou, aconteceu alguma coisa no motor, ou algum engraçadinho diz: - É, e eu que vou ter que dividir o mesmo quarto com ela esta noite. Risadas. Aí não tem desculpa que dê jeito.
Aí eu leio Tati, que minha amiga que senta do meu lado direito na agência indicou,
Que na minha cabeça eu gosto de chamá-la de Pequena, acho carinhoso, mas não falo porquê ela talvez não ache tão carinhoso quanto eu.
Que é a pessoa com quem posso contar, 10 horas por dia (as 2h aí a mais são as intermináveis das quais me dirijo neste texto). Que eu não tenho contato quando saio daqui porque não sou tão egoista e sei que ela precisa dormir, brincar com o filho, aturar o irmão, e porque eu odeio telefone, então provavelmente, se um dia ela me ligasse, eu nem veria que me chamou pra ir na Quartaneja, só no outro dia.
Que é antenada com o mundo, tem estilo, assunto, apetite de novidades, muitos seguidores, um charme especial e as cores de esmalte mais iradas que já vi.
Mas que tenho inveja, pois ela é corajosa e enfrenta o busão pra almoçar em casa, com a família enquanto eu fico aqui.
Agora, espero dar 2 horas, a hora oficial pra eu continuar fazendo a mesma coisa e depois esperar dar 3h, 5h, 7h.
E compartilho comigo mesma a brilhante ideia de fazer uma campanha que sugerisse almoçarmos os mesmos 10 minutos todos os dias e oficializar que é esse nosso horário de almoço, podendo ir embora por exemplo às 5h30.
Sonho meu? Não pode ser. Já não durmo na hora do almoço, muito menos sonho. E esse horário de verão que já começa sábado, hein? Mas isso é assunto para outro post.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Quem quer trabalhar aqui?
Em todo relacionamento os primeiros meses compreendem a fase da paixão.
É fato também que toda mulher apaixonada engorda.
Essa é a história de euzinha mesma, completamente apaixonada pelo novo emprego, e que engordou 7 quilos em apenas 4 meses.
Escrevo da feira do pastel. Toda sexta-feira tem feira bem na esquina da Alvorada, tem pastel de 3 reais, e os sabores queijo, rúcula com tomate seco, carne seca com requeijão. Quando a gente não vai meu chefinho faz questão de trazer um saco para o lanche de pastel de ar.
Na minha agência é assim. 3 chefes e 3 funcionários. Como se cada um dos chefes tentasse agradar um funcionário. Mas na verdade, não funciona exatamente assim: somos bombardeados constantemente de agrados por todos os lados.
Em uma bela manhã...
Bom dia Ellenzita, quer um alfajor de Buenos Aires?
Aceito.
Logo chega o almoço. Onde vamos hoje? Quem é o líder da semana?
No shopping?
Fechou.
Baked Potato por conta da casa. Experimentar o novo sabor. (já tenho até cartão VIP, 20% de desconto)
Refrigerante, salada e pão de batata para acompanhar?
Na faixa. Por que não?
Eu te pago um sorvetinho (lê-se picolé).
Não precisa, nem tanto.
Tá bom, chicabon, vou trazer assim mesmo.
Hum, fominha do fim da tarde. Posto?
Passo a vez.
Nem um pão de queijo?
Tô bem, obrigada.
Salgadinho
Não, não.
Uma conta nova?
Se é pra comemorar: Pizza Hut.
Aniversário da agência?
A melhor churrascaria de São Paulo. (nem me pergunte o nome, foi um detalhe que nem reparei).
Alguém quer uma maçã?
Cocinha?
Tem na geladeira.
O segundo fato é: quem casa também engorda. Hoje completo 5 meses de muito amor. Amor com paixão dá uma combustão louca.
E como o meu marido ama fazer um agrado. Segue a lista de delícias que ele já mandou para a galera da agência:
Coxinha,
Sopa Paraguaia,
Torta de Frango,
Rocambole de Atum,
Biscoito de Queijo.
Assim, somos desbravadores de novos restaurantes. Cada dia descobrindo novos lugares, novos sabores.
Como se naquelas duas horas de almoço tirássemos férias, e todos, juntos, fossemos uma família.
Compartilhamos muito mais do que a fome por novidades. O alimento para a alma.
É fato também que toda mulher apaixonada engorda.
Essa é a história de euzinha mesma, completamente apaixonada pelo novo emprego, e que engordou 7 quilos em apenas 4 meses.
Escrevo da feira do pastel. Toda sexta-feira tem feira bem na esquina da Alvorada, tem pastel de 3 reais, e os sabores queijo, rúcula com tomate seco, carne seca com requeijão. Quando a gente não vai meu chefinho faz questão de trazer um saco para o lanche de pastel de ar.
Na minha agência é assim. 3 chefes e 3 funcionários. Como se cada um dos chefes tentasse agradar um funcionário. Mas na verdade, não funciona exatamente assim: somos bombardeados constantemente de agrados por todos os lados.
Em uma bela manhã...
Bom dia Ellenzita, quer um alfajor de Buenos Aires?
Aceito.
Logo chega o almoço. Onde vamos hoje? Quem é o líder da semana?
No shopping?
Fechou.
Baked Potato por conta da casa. Experimentar o novo sabor. (já tenho até cartão VIP, 20% de desconto)
Refrigerante, salada e pão de batata para acompanhar?
Na faixa. Por que não?
Eu te pago um sorvetinho (lê-se picolé).
Não precisa, nem tanto.
Tá bom, chicabon, vou trazer assim mesmo.
Hum, fominha do fim da tarde. Posto?
Passo a vez.
Nem um pão de queijo?
Tô bem, obrigada.
Salgadinho
Não, não.
Uma conta nova?
Se é pra comemorar: Pizza Hut.
Aniversário da agência?
A melhor churrascaria de São Paulo. (nem me pergunte o nome, foi um detalhe que nem reparei).
Alguém quer uma maçã?
Cocinha?
Tem na geladeira.
O segundo fato é: quem casa também engorda. Hoje completo 5 meses de muito amor. Amor com paixão dá uma combustão louca.
E como o meu marido ama fazer um agrado. Segue a lista de delícias que ele já mandou para a galera da agência:
Coxinha,
Sopa Paraguaia,
Torta de Frango,
Rocambole de Atum,
Biscoito de Queijo.
Assim, somos desbravadores de novos restaurantes. Cada dia descobrindo novos lugares, novos sabores.
Como se naquelas duas horas de almoço tirássemos férias, e todos, juntos, fossemos uma família.
Compartilhamos muito mais do que a fome por novidades. O alimento para a alma.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Apontar, Fogo.
Sempre fui bem quietinha, mas me acostumei a surpreender as pessoas pagando uma de liberal. Coisas como: - pode sair com seus amigos; não precisa ligar; não tem hora pra voltar, viu?; enche a cara com seus amigos; divirta-se... sempre foram bem comuns no meu cotidiano. Não que eu não seja uma boa companhia. Apesar de eu pensar que já passei da idade para algumas baladas, encaro qualquer convite, desde que minha presença seja fundamental. Senão, fico com a minha caminha quentinha mesmo. Por quê não? Também costumo dizer: - vem aqui ver que mulher linda na TV; você viu quem é a capa da última playboy?; deixa essa casa como está, não precisa ficar limpando toda hora. Acho que deu pra entender.
Bom, essa era eu. Como moro na rua Frei Caneca, vira e mexe vejo homem com homem, mulher com mulher, na maior naturalidade possível. Nunca fui hipócrita diante das escolhas sexuais de cada um. Principalmente porque o que eles fazem no quarto (sala, cozinha, banheiro) não me diz respeito. Mas não mexe com família que eu fico puta. Pra mim é inadmissível, por exemplo, primo ficar com primo. Acho que a carência é apenas uma desculpa para falta de opção.
Está comprovado que acabamos nos interessando por quem convive com a gente, quem está ao nosso lado, no dia a dia. Aí você não sai de casa (ou porque sua mãe não deixa, ou porque você acha bem mais difícil conhecer alguém em um barzinho). Entendo os motivos. Só não posso entender você, primo de uma menina, que está por dentro de todas as verdades e confusões da família, se aproveitar da proximidade para ficar com ela, e pior ainda, depois dela pegar geral a filha do Tio Adolfo, a filha do Tio Eduardo, as 3 filhas do Tio Renato. Enfim, me dá ânsia de vômito, fora a vontade incontrolável de espancar o seu fucinho.
Mas o que justifica essa revolta tão grande no meu ser? Todas as primas saberem que isso acontece e só aumentarem a listinha do canalha. Meninas, de vinte anos, que não se dão respeito e não tem a mínima noção de limite. De quando estas “ brincadeiras” passam a ser prejudiciais para elas mesmas, não só pra quem assiste de fora, como eu.
Caiu por terra, a mulher liberal que achei que fosse, dando lugar a uma mulher que não está sendo capaz de engolir a seco tanta libertinagem. Não tive tempo, nem oportunidade, de conhecer tudo da vida. Mas só sei que colocar filho no mundo nestas condições é escolher entre estupro consentido ou fechar os olhos para uma imundice nervosa.
Hoje, eu gosto menos das pessoas.
Bom, essa era eu. Como moro na rua Frei Caneca, vira e mexe vejo homem com homem, mulher com mulher, na maior naturalidade possível. Nunca fui hipócrita diante das escolhas sexuais de cada um. Principalmente porque o que eles fazem no quarto (sala, cozinha, banheiro) não me diz respeito. Mas não mexe com família que eu fico puta. Pra mim é inadmissível, por exemplo, primo ficar com primo. Acho que a carência é apenas uma desculpa para falta de opção.
Está comprovado que acabamos nos interessando por quem convive com a gente, quem está ao nosso lado, no dia a dia. Aí você não sai de casa (ou porque sua mãe não deixa, ou porque você acha bem mais difícil conhecer alguém em um barzinho). Entendo os motivos. Só não posso entender você, primo de uma menina, que está por dentro de todas as verdades e confusões da família, se aproveitar da proximidade para ficar com ela, e pior ainda, depois dela pegar geral a filha do Tio Adolfo, a filha do Tio Eduardo, as 3 filhas do Tio Renato. Enfim, me dá ânsia de vômito, fora a vontade incontrolável de espancar o seu fucinho.
Mas o que justifica essa revolta tão grande no meu ser? Todas as primas saberem que isso acontece e só aumentarem a listinha do canalha. Meninas, de vinte anos, que não se dão respeito e não tem a mínima noção de limite. De quando estas “ brincadeiras” passam a ser prejudiciais para elas mesmas, não só pra quem assiste de fora, como eu.
Caiu por terra, a mulher liberal que achei que fosse, dando lugar a uma mulher que não está sendo capaz de engolir a seco tanta libertinagem. Não tive tempo, nem oportunidade, de conhecer tudo da vida. Mas só sei que colocar filho no mundo nestas condições é escolher entre estupro consentido ou fechar os olhos para uma imundice nervosa.
Hoje, eu gosto menos das pessoas.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
cartinha pro bom velinho
Querido Papai Noel,
Neste Natal eu pretendo estar bem longe daqui, com a minha família, amigos e virando a noite por um motivo realmente importante. Ano que vem vai ser diferente, e como tudo é pra ontem vou começar minha resolução de ano novo agora mesmo.
Prometo não falar mal de ninguém, nem daquela velhota que senta ao meu lado e não tem a mínima noção de como combinar azul com laranja, mas é teimosa que só ela. Prometo estender o regime de segunda (desta vez vai durar até terça) e ficar satisfeita só com aquela saladinha no almoço. Prometo não cobiçar o carinha do outro departamento quando ele passar pelo corredor com aquela calça jeans apertada. Prometo deixar, de uma vez por todas, de acreditar nas promessas dos outros. Prometo ser feliz.
Neste Natal eu pretendo estar bem longe daqui, com a minha família, amigos e virando a noite por um motivo realmente importante. Ano que vem vai ser diferente, e como tudo é pra ontem vou começar minha resolução de ano novo agora mesmo.
Prometo não falar mal de ninguém, nem daquela velhota que senta ao meu lado e não tem a mínima noção de como combinar azul com laranja, mas é teimosa que só ela. Prometo estender o regime de segunda (desta vez vai durar até terça) e ficar satisfeita só com aquela saladinha no almoço. Prometo não cobiçar o carinha do outro departamento quando ele passar pelo corredor com aquela calça jeans apertada. Prometo deixar, de uma vez por todas, de acreditar nas promessas dos outros. Prometo ser feliz.
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