quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quando a gente erra

Eu errei.

Mas ninguém me disse: viu só? te avisei. você é culpada.
Ninguém me disse: isso não poderia ter acontecido jamais. é imperdoável. decepcionante.
Ninguém me disse: tenha mais cuidado na próxima. como deixou passar um erro bobo desses? sabe o rombo que nos causou?

Ao contrário de tudo isto, que podem ter pensado mas não disseram, ficou aquele silêncio. Um silêncio de gastrite. Que ardia. Como se eu tivesse que me convencer que nunca se erra sozinho, que a responsabilidade era de todos (de quem escreveu, quem criou, quem diagramou, quem fechou o arquivo, da revisora, do cliente, da gráfica). Enfim, porque não dizem logo: - a culpa é sua. Mesmo se não fosse, agora já é.

Começo a procurar nos meus arquivos, ler um a um, páginas e páginas corridas, até que o silêncio se quebra. Pronto, fui eu. Agora eu tenho a prova. E mesmo um tanto desacreditada, me interrogando sobre como deixei passar, tentando pensar se era um dia com muitos compromissos ou se foi apenas desatenção, ousando calcular o prejuízo sabendo que não seria reparável, eu sinto muito.

Eles me privaram de ser apontada com dedos fluorescentes, foram bem gentis como se convencessem que “shits happen”, mas percebi que sem pedir desculpas eu não iria retomar minha confiança. Eu não sabia que existe coisa pior do que admitir o erro.

É, eu errei.

Um comentário:

van disse...

Nada de se culpar... Sai pra lá, gastrite!

Beijo!