Derrame sobre mim seus lamentos. Eu os recebo.
Faça deles parte da sua alegria, seus bons momentos.
O que mais quero é fazer parte da sua vida, integralmente.
Se pudesse fazer um pedido primeiro agradeceria.
Nada me falta, a não ser sua ausência.
Entorpecida, me embebedo no seu vinho.
Não tenho o que negar: nada mais me surpreende.
Nada mais que meus sonhos sonhados juntos.
A ti, demonstro toda fraqueza humana, singela e cortante.
Sou pequena, sua pequena.
Desnudo minha alma podre pra me perder deste vazio inseguro e morno.
O que quero de você não é mera figuração, também não espero que pegue em minha mão.
Você está no que silencia.
Embora tudo se cale em um soluço, não há arrependimentos.
Ganho muito em esperar você bater em minha porta, e já a deixo encostada.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
Depois de você
Hoje é o dia mais triste e vazio da minha vida.
Hoje é o dia pós-euforia que reconheço a mentira e me sinto desnuda.
Minhas gavetas já não cabem tantas roupas que não servem mais.
E reavalio a impotência que tenho diante do seu sorriso distante,
que não é pra mim.
Desconhece o que é o amor, quando ele é tudo que tenho a oferecer.
E ao mesmo tempo em que me eleva, deixa cair sem qualquer proteção.
A escolha depende de mim, mas não é nada tão fácil assim como vocês estão pensando: a lua, os astros, o tempo, as horas, os compromissos e principalmente a realidade interferem muito.
Agarro com minhas unhas cada oportunidade de viver o hoje, e desconheço qualquer outra maneira de fazê-lo. Por isso, acabo arranhando-o e mais, me cortando.
Quando eu deixar pra trás tudo que isso representa, as lembranças poderão ser pesadas demais e transbordar de lágrimas o chão onde irei pisar.
Hoje é o dia pós-euforia que reconheço a mentira e me sinto desnuda.
Minhas gavetas já não cabem tantas roupas que não servem mais.
E reavalio a impotência que tenho diante do seu sorriso distante,
que não é pra mim.
Desconhece o que é o amor, quando ele é tudo que tenho a oferecer.
E ao mesmo tempo em que me eleva, deixa cair sem qualquer proteção.
A escolha depende de mim, mas não é nada tão fácil assim como vocês estão pensando: a lua, os astros, o tempo, as horas, os compromissos e principalmente a realidade interferem muito.
Agarro com minhas unhas cada oportunidade de viver o hoje, e desconheço qualquer outra maneira de fazê-lo. Por isso, acabo arranhando-o e mais, me cortando.
Quando eu deixar pra trás tudo que isso representa, as lembranças poderão ser pesadas demais e transbordar de lágrimas o chão onde irei pisar.
Sal
Quando a saudade insiste em bater, não exita.
Muitas vezes estamos perto demais, mas não o bastante para ficarmos próximos, sentir o colo, a pele ou respiração.
Tem gente que conta as horas, vira folhinha, risca agenda, e ansiosos agarram o momento como o próprio fôlego, só para chegar junto. Entre soluços e sorrisos, não se quer pensar em nada, é o não ter tempo a perder.
Apreensivos, muitas palavras se escondem nos vincos da razão. Mas quando não temos motivo ou deixamos o coração divagar é que encontramos sentido apenas com um olhar.
Ninguém segura as lágrimas, insistentes turvam minha visão. Por isso fico aqui parada, espero por suas mãos. Não sei como reagir ou quanto tempo vai ter que passar para que eu entenda porque são as lembranças as responsáveis pelo meu caminhar.
Estrada de ida, viagem de volta. Nem preciso fechar os olhos para estar com você.
Assim, encurto a distância, descanso em teu peito e tenho a certeza que não é mal nenhum querer voltar.
Aprenderemos a ser pacientes, parar um instante pra dar lugar ao sol que se põe,
buscar a resposta que já mora dentro da gente, e seguir em frente sem arrependimentos.
Muitas vezes estamos perto demais, mas não o bastante para ficarmos próximos, sentir o colo, a pele ou respiração.
Tem gente que conta as horas, vira folhinha, risca agenda, e ansiosos agarram o momento como o próprio fôlego, só para chegar junto. Entre soluços e sorrisos, não se quer pensar em nada, é o não ter tempo a perder.
Apreensivos, muitas palavras se escondem nos vincos da razão. Mas quando não temos motivo ou deixamos o coração divagar é que encontramos sentido apenas com um olhar.
Ninguém segura as lágrimas, insistentes turvam minha visão. Por isso fico aqui parada, espero por suas mãos. Não sei como reagir ou quanto tempo vai ter que passar para que eu entenda porque são as lembranças as responsáveis pelo meu caminhar.
Estrada de ida, viagem de volta. Nem preciso fechar os olhos para estar com você.
Assim, encurto a distância, descanso em teu peito e tenho a certeza que não é mal nenhum querer voltar.
Aprenderemos a ser pacientes, parar um instante pra dar lugar ao sol que se põe,
buscar a resposta que já mora dentro da gente, e seguir em frente sem arrependimentos.
Dormevu
Dorme em meu peito. Durma tranqüilo.
Como se a noite já não começasse às 3 da manhã.
É hora de fechar seus olhos a indiferença do mundo.
Tem tanta gente honesta, sem culpa, com honra, assim como você.
Vem,
Ao menos deite um pouco,
Deixe que seus músculos também se façam relaxar.
Não é no braço que vamos ser mais justos e sinceros.
Nossa competência pode ser medida pelo esforço do nosso trabalho.
Olha,
Aquele grito já não é mais de alerta. Escute com paciência os oprimidos.
Tem tanto amor mesmo nos que sentem dor.
Somos nós quem trilhamos o amanhã.
Mas é hoje que temos de nos libertar.
Escute,
É o seu coração que está batendo mais forte.
Fique feliz pela nossa felicidade.
Aceite que também podemos fazer parte dela, usufruir.
Saiba,
Mesmo que pareça não aceitar tudo que fala.
Estou ao seu lado e apoio suas lutas.
E quando puder ajudar, saberei a hora certa de erguermos juntos essa espada.
Quando a luta não for desgarrar-lhe dos seus propósitos.
Deita,
Descansa no meu peito a conformação.
Silencia o medo do mundo e das noites mal dormidas no meu colo.
E agora, brando, põe-se a chorar como se tudo se explicasse por um único olhar.
Vem, e me dá um beijo.
Hoje é dia de valsa.
Como se a noite já não começasse às 3 da manhã.
É hora de fechar seus olhos a indiferença do mundo.
Tem tanta gente honesta, sem culpa, com honra, assim como você.
Vem,
Ao menos deite um pouco,
Deixe que seus músculos também se façam relaxar.
Não é no braço que vamos ser mais justos e sinceros.
Nossa competência pode ser medida pelo esforço do nosso trabalho.
Olha,
Aquele grito já não é mais de alerta. Escute com paciência os oprimidos.
Tem tanto amor mesmo nos que sentem dor.
Somos nós quem trilhamos o amanhã.
Mas é hoje que temos de nos libertar.
Escute,
É o seu coração que está batendo mais forte.
Fique feliz pela nossa felicidade.
Aceite que também podemos fazer parte dela, usufruir.
Saiba,
Mesmo que pareça não aceitar tudo que fala.
Estou ao seu lado e apoio suas lutas.
E quando puder ajudar, saberei a hora certa de erguermos juntos essa espada.
Quando a luta não for desgarrar-lhe dos seus propósitos.
Deita,
Descansa no meu peito a conformação.
Silencia o medo do mundo e das noites mal dormidas no meu colo.
E agora, brando, põe-se a chorar como se tudo se explicasse por um único olhar.
Vem, e me dá um beijo.
Hoje é dia de valsa.
Júlia
Dizem por aí que ele é de louça e podem apostar, vai quebrar.
Andam dizendo que seu brilho ofusca, mas acredito que me fez cegar.
Algumas vezes posso sentir o sangue correndo como se tudo perdesse o controle.
Em outras, quase não o sinto. Faz de um samba de roda uma bossa nova.
Esse é meu coração e nele cabe muito mais do que os meus sonhos, é grande o bastante.
Vem sempre um vazio invadir o espaço, me cobrando de coisas que não fiz ou não foram ditas. Vem o vazio, meu velho conhecido, amargurar algumas noites no céu profundo da minha boca.
Tendo sorte essa noite me liberto dos pesadelos.
Desperta em mim agora a sensação de um pedaço de sol caindo no meu dia, e antes que termine a melodia da minha caixinha de música, surpreendo-me com uma graciosa bailarina que vem pousar sua paz nos meus olhos.
Rodopiando, rodando, rodando ela baila sobre os meus medos e não quer saber de nada.
Não veio pra preencher o vazio. É bem mais que isso. O que me faz é não ter tempo para pensar nele. Passo a seguir em frente, não mais por simplesmente ter que acordar e dormir todos os dias, mas porque agora tenho um motivo real e que cabe na palma da minha mão.
É como se agora pudesse sentir meu coração mais perto de mim.
Reconheço seu cheiro, a cor da sua pele e o tom da sua voz. É uma linda menina.
Nada dela é meu. Não tem comparação. É autêntica e genial. É única, não é minha e nem de ninguém. Me faz cantar algumas letras que antes não conhecia, a conhecer lugares distantes e outros escondidos dentro de mim, até ensaiei alguns passos de valsa. Ao meu redor nada mudou. Tudo contínua caótico e sem jeito. Mas fiz questão de parar o tempo para admirá-la dançar. O tempo que está todos os dias ali e não damos bola pra ele, hoje ela o pega e estoura suas primeiras bolas de chiclé.
Andam dizendo que seu brilho ofusca, mas acredito que me fez cegar.
Algumas vezes posso sentir o sangue correndo como se tudo perdesse o controle.
Em outras, quase não o sinto. Faz de um samba de roda uma bossa nova.
Esse é meu coração e nele cabe muito mais do que os meus sonhos, é grande o bastante.
Vem sempre um vazio invadir o espaço, me cobrando de coisas que não fiz ou não foram ditas. Vem o vazio, meu velho conhecido, amargurar algumas noites no céu profundo da minha boca.
Tendo sorte essa noite me liberto dos pesadelos.
Desperta em mim agora a sensação de um pedaço de sol caindo no meu dia, e antes que termine a melodia da minha caixinha de música, surpreendo-me com uma graciosa bailarina que vem pousar sua paz nos meus olhos.
Rodopiando, rodando, rodando ela baila sobre os meus medos e não quer saber de nada.
Não veio pra preencher o vazio. É bem mais que isso. O que me faz é não ter tempo para pensar nele. Passo a seguir em frente, não mais por simplesmente ter que acordar e dormir todos os dias, mas porque agora tenho um motivo real e que cabe na palma da minha mão.
É como se agora pudesse sentir meu coração mais perto de mim.
Reconheço seu cheiro, a cor da sua pele e o tom da sua voz. É uma linda menina.
Nada dela é meu. Não tem comparação. É autêntica e genial. É única, não é minha e nem de ninguém. Me faz cantar algumas letras que antes não conhecia, a conhecer lugares distantes e outros escondidos dentro de mim, até ensaiei alguns passos de valsa. Ao meu redor nada mudou. Tudo contínua caótico e sem jeito. Mas fiz questão de parar o tempo para admirá-la dançar. O tempo que está todos os dias ali e não damos bola pra ele, hoje ela o pega e estoura suas primeiras bolas de chiclé.
Coração em abril
Tem uma coisa que se vela enquanto nós nos revelamos.
Tem alguma coisa de meu naquela porta entreaberta.
Abrindo, interagindo, adorando, pedindo, desejando, sorrindo.
Me tem. Toda, completa e entregue. A mais sincera que já fui ou poderia ter sido.
Ele tem toda a razão quando diz: você não me conhece.
E fico sinceramente grata quando me surpreendo, outra, e mais uma vez.
De repente ele estava ali. Das minhas manhãs de segunda as sextas de tardezinha.
E nada parecia diferente até quando rimas antigas de um poeta sem década invadiram minha tela me transportando para qualquer coisa que eu me permitisse ser e que nem ouso a entender, mas parece que ele pode sempre compreender muito bem.
Não é como aquelas paixões arrebatadoras de folhas de outono. Não é, ainda.
Mas é algo que chegou de mansinho e em pouquíssimo tempo, ai, ai, que calor no peito.
Corações de abril, despetalado em flores.
Tem alguma coisa de meu naquela porta entreaberta.
Abrindo, interagindo, adorando, pedindo, desejando, sorrindo.
Me tem. Toda, completa e entregue. A mais sincera que já fui ou poderia ter sido.
Ele tem toda a razão quando diz: você não me conhece.
E fico sinceramente grata quando me surpreendo, outra, e mais uma vez.
De repente ele estava ali. Das minhas manhãs de segunda as sextas de tardezinha.
E nada parecia diferente até quando rimas antigas de um poeta sem década invadiram minha tela me transportando para qualquer coisa que eu me permitisse ser e que nem ouso a entender, mas parece que ele pode sempre compreender muito bem.
Não é como aquelas paixões arrebatadoras de folhas de outono. Não é, ainda.
Mas é algo que chegou de mansinho e em pouquíssimo tempo, ai, ai, que calor no peito.
Corações de abril, despetalado em flores.
Sem glitter ou borboletas
Carnaval é um feriado que nos dá a aparente permissividade de vestir a fantasia e partir para a roda.
Já deveríamos desconfiar destes 5 dias.
Nada que é dado vem completamente de graça. E isso aprendi cedo.
Nunca fui de montar bloco, pintar o rosto, puxar trenzinho e dançar marchinha.
Normalmente me fantasio os outros 360 dias do ano e no dia da festa rasgo o disfarce me pondo a chorar como a colombina.
Já tive oportunidade de cantar em um trio elétrico e perdi a voz ainda na primeira música.
Já tive namoro de 5 anos que terminou na quarta de cinzas.
Este ano vi de perto os carros alegóricos, mas não sambei conforme a música.
Nunca beijei na boca, bebi até cair ou cheirei lança-perfume.
E chega outro Carnaval.
Passo as noites acompanhando a alegria dos outros pela televisão.
A minha vida passa enquanto meus olhos se perdem em qualquer ponto.
Continuo sozinha.
Mudo mais uma vez a cor dos cabelos. Mudo de endereço, de quarto e de identidade.
Chega de farra. Finalmente o ano pode realmente começar.
Já deveríamos desconfiar destes 5 dias.
Nada que é dado vem completamente de graça. E isso aprendi cedo.
Nunca fui de montar bloco, pintar o rosto, puxar trenzinho e dançar marchinha.
Normalmente me fantasio os outros 360 dias do ano e no dia da festa rasgo o disfarce me pondo a chorar como a colombina.
Já tive oportunidade de cantar em um trio elétrico e perdi a voz ainda na primeira música.
Já tive namoro de 5 anos que terminou na quarta de cinzas.
Este ano vi de perto os carros alegóricos, mas não sambei conforme a música.
Nunca beijei na boca, bebi até cair ou cheirei lança-perfume.
E chega outro Carnaval.
Passo as noites acompanhando a alegria dos outros pela televisão.
A minha vida passa enquanto meus olhos se perdem em qualquer ponto.
Continuo sozinha.
Mudo mais uma vez a cor dos cabelos. Mudo de endereço, de quarto e de identidade.
Chega de farra. Finalmente o ano pode realmente começar.
Achados e Perdidos
Mudar faz parte de um estado.
Do estado sólido para o gasoso.
Do estado físico para o emocional.
Do estado pobre para o rico.
Do estado de Goiás para São Paulo.
Da menina para a prenha.
Do nada para o absoluto.
Do claro para o escuro.
Do remetente para o destinatário.
De você pra mim.
De filha para esposa.
Mudar de cabeça, de corpo, de atitude, de jeito.
Mudar de gênero, de gosto, de amor, de prato preferido.
Mudar a cor dos cabelos.
Mudar e desmudar todos os sentidos.
Mudar para uns é trivial.
Pra mim é mudança, esperança.
Mudar é saber que a vida continua independente das estações, do clima, da poupança, da política, das outras pessoas quererem ou não.
Mudar é rebolar em cima das caixas lacradas de fita adesiva e rotina.
Mudar é ver tudo que é seu nominado frágil e embrulhado para presente.
Mudar pode trazer dor nas costas, dor de cabeça, fortes lembranças,
Mudar tem achados e perdidos, mas normalmente o saldo é positivo.
Mudar não é tão complicado. Manter a mudança, sim.
Mudar só pertence a nós mesmos.
Do estado sólido para o gasoso.
Do estado físico para o emocional.
Do estado pobre para o rico.
Do estado de Goiás para São Paulo.
Da menina para a prenha.
Do nada para o absoluto.
Do claro para o escuro.
Do remetente para o destinatário.
De você pra mim.
De filha para esposa.
Mudar de cabeça, de corpo, de atitude, de jeito.
Mudar de gênero, de gosto, de amor, de prato preferido.
Mudar a cor dos cabelos.
Mudar e desmudar todos os sentidos.
Mudar para uns é trivial.
Pra mim é mudança, esperança.
Mudar é saber que a vida continua independente das estações, do clima, da poupança, da política, das outras pessoas quererem ou não.
Mudar é rebolar em cima das caixas lacradas de fita adesiva e rotina.
Mudar é ver tudo que é seu nominado frágil e embrulhado para presente.
Mudar pode trazer dor nas costas, dor de cabeça, fortes lembranças,
Mudar tem achados e perdidos, mas normalmente o saldo é positivo.
Mudar não é tão complicado. Manter a mudança, sim.
Mudar só pertence a nós mesmos.
Promessas Vazias
Parte meu coração como se não soubesse.
Exime-se de toda culpa como se nunca tivesse me pedido nada.
Já amou alguma vez? Sabe o que é esperar sem esperanças?
Busco respostas que lamentavelmente foram ignoradas.
Nada fez e mesmo assim já me deixa aqui em pedaços. E nada faz.
Dê-me uma outra escolha. Não pode ser tão simples assim parar de gostar de você.
Por que finge pra você mesmo? Por que demora tanto?
Por que desistiu do meu amor antes mesmo de prova-lo integro e puro?
Por que faz com que todos os dias agora pareçam domingo, e por que ainda lhe pergunto esperando algum sinal?
Se não sabe o que é amor, não sabe o que estou sentindo. E se isto não lhe sensibiliza em nada pode ter mais uma vez razão: você cresceu e eu ainda não.
Mas aqui existe um coração que sabe o que quer, se você não sabe pode ter se enganado dessa vez.
Exime-se de toda culpa como se nunca tivesse me pedido nada.
Já amou alguma vez? Sabe o que é esperar sem esperanças?
Busco respostas que lamentavelmente foram ignoradas.
Nada fez e mesmo assim já me deixa aqui em pedaços. E nada faz.
Dê-me uma outra escolha. Não pode ser tão simples assim parar de gostar de você.
Por que finge pra você mesmo? Por que demora tanto?
Por que desistiu do meu amor antes mesmo de prova-lo integro e puro?
Por que faz com que todos os dias agora pareçam domingo, e por que ainda lhe pergunto esperando algum sinal?
Se não sabe o que é amor, não sabe o que estou sentindo. E se isto não lhe sensibiliza em nada pode ter mais uma vez razão: você cresceu e eu ainda não.
Mas aqui existe um coração que sabe o que quer, se você não sabe pode ter se enganado dessa vez.
Álibi
Quando a gente se apaixona mais de uma vez pela mesma pessoa é assim: precisamos de um álibi. É unir o que temos de pele (amilase) com uma coisa inexplicável e cúmplice, além do coração (amizade).
De mãos dadas, com medo que alguém nos visse, não estávamos ali por causa da nossa aparência, atração física ou alguma promessa, e sim porque conhecemos tão bem um ao outro que aquele momento dispensava palavras.
Podíamos ser sinceros sem precisar usar qualquer artifício para surpreender.
Admirados, apenas nossas gargalhadas tinham voz.
Bem melhor do que imaginamos há tantos anos.
Sem cobranças e mistérios, comentários impróprios surgiam nas horas mais improváveis.
E seduzidos tentávamos não pensar em nada para que a saudade não nos visitasse depois em forma de insônia.
Selamos em um beijo nossa loucura, entusiastas e absolvidos pelo poder do amor.
Apreensivos, curiosos, mas isentos de culpa, somos um do outro,
Para sempre.
De mãos dadas, com medo que alguém nos visse, não estávamos ali por causa da nossa aparência, atração física ou alguma promessa, e sim porque conhecemos tão bem um ao outro que aquele momento dispensava palavras.
Podíamos ser sinceros sem precisar usar qualquer artifício para surpreender.
Admirados, apenas nossas gargalhadas tinham voz.
Bem melhor do que imaginamos há tantos anos.
Sem cobranças e mistérios, comentários impróprios surgiam nas horas mais improváveis.
E seduzidos tentávamos não pensar em nada para que a saudade não nos visitasse depois em forma de insônia.
Selamos em um beijo nossa loucura, entusiastas e absolvidos pelo poder do amor.
Apreensivos, curiosos, mas isentos de culpa, somos um do outro,
Para sempre.
Agora eu vou mesmo
Finalmente eu não preciso mais que acredite em mim.
Não usarei estratégias de sedução
ou gastarei palavras de adoração
pra lhe convencer.
Você não precisa mais cruzar comigo pelos corredores.
E eu não precisarei desviar o olhar,
fingir que não me importo,
ser indiferente,
e segurar meu coração dentro da boca antes que ele salte por ela.
Não se incomode, eu vou pra não voltar.
Não terá mais meus olhos iluminados ao lhe ver,
e nem o brilho do meu sorriso declarando toda essa paixão.
Até que enfim vou encontrar o meu lugar.
Abrir mão da poesia de todas as manhãs.
Da certeza inexata de ser notada por você,
e daquele abraço, cúmplice, que pertenceu um dia somente a nós dois.
Tudo isso vai passar
e muitas vezes vou querer visitar as lembranças.
Elas dormirão comigo tal qual, como e quando
almoçávamos o sol e me deixava repousar nos seus braços.
A falsidade, o orgulho e a maldade,
os vícios e toda aquela ansiedade
cederão lugar a um vazio, que vai me fazer chorar,
mas irá me libertar de toda essa culpa.
Agora eu vou mesmo, já estou de saída,
e mesmo que não se importe pra mim você fez diferença.
Levo as fotos, seu olhar, seu beijo, seu suor e os carinhos no ouvido,
e deixo todo o amor que não consegui lhe dar,
levo você comigo.
Não usarei estratégias de sedução
ou gastarei palavras de adoração
pra lhe convencer.
Você não precisa mais cruzar comigo pelos corredores.
E eu não precisarei desviar o olhar,
fingir que não me importo,
ser indiferente,
e segurar meu coração dentro da boca antes que ele salte por ela.
Não se incomode, eu vou pra não voltar.
Não terá mais meus olhos iluminados ao lhe ver,
e nem o brilho do meu sorriso declarando toda essa paixão.
Até que enfim vou encontrar o meu lugar.
Abrir mão da poesia de todas as manhãs.
Da certeza inexata de ser notada por você,
e daquele abraço, cúmplice, que pertenceu um dia somente a nós dois.
Tudo isso vai passar
e muitas vezes vou querer visitar as lembranças.
Elas dormirão comigo tal qual, como e quando
almoçávamos o sol e me deixava repousar nos seus braços.
A falsidade, o orgulho e a maldade,
os vícios e toda aquela ansiedade
cederão lugar a um vazio, que vai me fazer chorar,
mas irá me libertar de toda essa culpa.
Agora eu vou mesmo, já estou de saída,
e mesmo que não se importe pra mim você fez diferença.
Levo as fotos, seu olhar, seu beijo, seu suor e os carinhos no ouvido,
e deixo todo o amor que não consegui lhe dar,
levo você comigo.
Tá na cara
- Conheci uma menina, hoje no serviço, com um sorrisão enorme!
Foi assim que ele me apresentou a minha sogrinha. Ufa! Que bom que ele não mencionou o corpicho. Assim, cada dia que ganho um quilo posso abusar dos truques da cosmética e passar um batom que não deixa minha boca sumir entre as bochechas.
Assim que conheci meu atual namorado fui logo me apresentando: - Meu nome é Ellen, tenho 24 anos e emagreci 20 quilos nesse último mês. Alou, depois ele vem dizer que não entendeu? Ninguém nessa humanidade emagrece tão rápido e consegue manter.
Sou gorda. Tenho alma de gorda. E não abro mão de uma boa comida.
Me lembro como se fosse hoje do meu pai fazendo uma aposta com a mamãe: - Vamos ver se ele continua com ela depois que ver como nossa filha é uma fofa!
É verdade! E fofa ainda é um apelido carinhoso depois dos vários que já recebi gentilmente daqueles tontos. Tontos e só pode ser de fome. Eu que não sou burra pra me render aos capins.
Quer saber mais sobre mim? Além de burra, sou mentirosa.
Esses dias estava passeando na rua com meu salto agulha, um enchimento considerável no sutiã e um tubinho preto bem soltinho (pra não dar vazão as fantasias dos pedreiros e disfarçar a macarronada da última janta). Quando uma mulher do BIG BROTHER me parou prontamente na rua, sacou o cartão e disse: - Seu rosto é lindo. Você parece muito simpática. Eu hein? Recusei na hora. Certeza que ela me viu enfiando o dedo no nariz uma esquina atrás. Desconfie do elogio “simpático”. Ninguém merece ver meu rosto lindo exposto às escatologias do mundo.
Foi assim que ele me apresentou a minha sogrinha. Ufa! Que bom que ele não mencionou o corpicho. Assim, cada dia que ganho um quilo posso abusar dos truques da cosmética e passar um batom que não deixa minha boca sumir entre as bochechas.
Assim que conheci meu atual namorado fui logo me apresentando: - Meu nome é Ellen, tenho 24 anos e emagreci 20 quilos nesse último mês. Alou, depois ele vem dizer que não entendeu? Ninguém nessa humanidade emagrece tão rápido e consegue manter.
Sou gorda. Tenho alma de gorda. E não abro mão de uma boa comida.
Me lembro como se fosse hoje do meu pai fazendo uma aposta com a mamãe: - Vamos ver se ele continua com ela depois que ver como nossa filha é uma fofa!
É verdade! E fofa ainda é um apelido carinhoso depois dos vários que já recebi gentilmente daqueles tontos. Tontos e só pode ser de fome. Eu que não sou burra pra me render aos capins.
Quer saber mais sobre mim? Além de burra, sou mentirosa.
Esses dias estava passeando na rua com meu salto agulha, um enchimento considerável no sutiã e um tubinho preto bem soltinho (pra não dar vazão as fantasias dos pedreiros e disfarçar a macarronada da última janta). Quando uma mulher do BIG BROTHER me parou prontamente na rua, sacou o cartão e disse: - Seu rosto é lindo. Você parece muito simpática. Eu hein? Recusei na hora. Certeza que ela me viu enfiando o dedo no nariz uma esquina atrás. Desconfie do elogio “simpático”. Ninguém merece ver meu rosto lindo exposto às escatologias do mundo.
Crime perfeito
Não. Não amo ninguém.
Nem ao menos sei o que é o amor.
Mas procuro desesperadamente uma resposta.
Esperava muito mais do que veio me dar.
Fatalmente não tínhamos outra rua a tomar.
CENTRO, À DIREITA. CONGESTIONAMENTO.
Você já não ia chegar a tempo do combinado.
E mesmo assim só pensava em me deixar (antes até de abastecer).
Eu não parava de falar. Você não parava pra escutar.
Enquanto isso nossas palavras iam virando pó.
OS CARROS PASSAM A SE MOVIMENTAR A 20Km/h.
Seus olhos já estão carregados.
Será que notou que o meu desprezo foi por te admirar demais
e por não aceitar a minha impotência de não conseguir que ficasse mais?
Mei ninja, para o alto com os horários e convenções.
RODÍZIO DE PLACAS. OFICINA MECÂNICA. MULTA.
Pro inferno com a consciência. Justo agora resolveu lhe cobrar?
Quanta tolice da minha parte. Não consegui me mostrar agradecida pela visita.
Já não sabia mais o que pensava quando partiu.
Adivinhar pensamentos seria sem graça demais, não é mesmo?
HORA DO RUSH. FERIADO DE CARNAVAL.
Cuida do meu coração.
Ficar com a dúvida é pior.
Diga que não se arrependeu.
Diga que vai lembrar só do que de bom aconteceu.
Poderia ser pior. Poderia estar chovendo.
POETA.
POETA.
POETA.
Agora chove.
Nem ao menos sei o que é o amor.
Mas procuro desesperadamente uma resposta.
Esperava muito mais do que veio me dar.
Fatalmente não tínhamos outra rua a tomar.
CENTRO, À DIREITA. CONGESTIONAMENTO.
Você já não ia chegar a tempo do combinado.
E mesmo assim só pensava em me deixar (antes até de abastecer).
Eu não parava de falar. Você não parava pra escutar.
Enquanto isso nossas palavras iam virando pó.
OS CARROS PASSAM A SE MOVIMENTAR A 20Km/h.
Seus olhos já estão carregados.
Será que notou que o meu desprezo foi por te admirar demais
e por não aceitar a minha impotência de não conseguir que ficasse mais?
Mei ninja, para o alto com os horários e convenções.
RODÍZIO DE PLACAS. OFICINA MECÂNICA. MULTA.
Pro inferno com a consciência. Justo agora resolveu lhe cobrar?
Quanta tolice da minha parte. Não consegui me mostrar agradecida pela visita.
Já não sabia mais o que pensava quando partiu.
Adivinhar pensamentos seria sem graça demais, não é mesmo?
HORA DO RUSH. FERIADO DE CARNAVAL.
Cuida do meu coração.
Ficar com a dúvida é pior.
Diga que não se arrependeu.
Diga que vai lembrar só do que de bom aconteceu.
Poderia ser pior. Poderia estar chovendo.
POETA.
POETA.
POETA.
Agora chove.
Um pouco de manhã
Quando ele reaparece, não é impossível vê-la assobiar cores.
É como se carregasse um jardim de nuvens.
Quando ele reaparece, mesmo sem nunca ter voltado, tudo flui.
Leve como um soneto que passa a vida toda esperando pelo maestro.
Regendo sua própria sinfonia. E toda melodia se tornando digna dos seus lábios.
Quando ele reaparece: e-mail, voz ou imagem é possível ver umas borboletas indo e vindo pelos quadris da menina. Percorrendo um todo, como se já o possuísse inteiro.
Assim, de um pouco de saliva e um punhado de lembranças nascerem palavras envaidecidas, envergonhadas, no entanto, sedentas.
Faz brotar saudade nos olhos dela: a menina que espera. E continua esperando.
Quer matar seu desejo. Quer matar e compartilha-lo.
Como se em um instante fosse dois. E no outro, deixasse de ser.
Como se dormir fosse sinônimo de esquecer. Ou a única maneira de seguir em frente.
Agora, alimentada, de barriga cheia, descansa. Conta histórias para voltar a sonhar.
Acorda. Veste-se. Sorri para seu próprio reflexo no espelho. E volta a esperar.
Ela o ama.
Ama da forma mais pura. Ama intumescida de amor.
Ama sem precisar levar com esse amor o peso das cobranças.
Ela o tem.
Quando ele quer. Quando ele chama. Quando ele lembra que ainda não se esqueceu.
E ela esquece. Finge que não percebe que volta a estar em suas mãos.
Às vezes por mais uns meses. Ás vezes por poucas horas (mas certamente intensos e apaixonados segundos).
Ele vai embora e leva um pouco dela.
Ela fica, com o vazio, não sobra nada dele.
É como se carregasse um jardim de nuvens.
Quando ele reaparece, mesmo sem nunca ter voltado, tudo flui.
Leve como um soneto que passa a vida toda esperando pelo maestro.
Regendo sua própria sinfonia. E toda melodia se tornando digna dos seus lábios.
Quando ele reaparece: e-mail, voz ou imagem é possível ver umas borboletas indo e vindo pelos quadris da menina. Percorrendo um todo, como se já o possuísse inteiro.
Assim, de um pouco de saliva e um punhado de lembranças nascerem palavras envaidecidas, envergonhadas, no entanto, sedentas.
Faz brotar saudade nos olhos dela: a menina que espera. E continua esperando.
Quer matar seu desejo. Quer matar e compartilha-lo.
Como se em um instante fosse dois. E no outro, deixasse de ser.
Como se dormir fosse sinônimo de esquecer. Ou a única maneira de seguir em frente.
Agora, alimentada, de barriga cheia, descansa. Conta histórias para voltar a sonhar.
Acorda. Veste-se. Sorri para seu próprio reflexo no espelho. E volta a esperar.
Ela o ama.
Ama da forma mais pura. Ama intumescida de amor.
Ama sem precisar levar com esse amor o peso das cobranças.
Ela o tem.
Quando ele quer. Quando ele chama. Quando ele lembra que ainda não se esqueceu.
E ela esquece. Finge que não percebe que volta a estar em suas mãos.
Às vezes por mais uns meses. Ás vezes por poucas horas (mas certamente intensos e apaixonados segundos).
Ele vai embora e leva um pouco dela.
Ela fica, com o vazio, não sobra nada dele.
wallflowers
Muitas vezes ganhamos flores como gesto de carinho.
Flores, mortas.
Exalando seu cheiro, cores, e provocando sensações como num último suspiro de vida.
Elas sabem que já estão mortas, ainda que tenham sido tiradas do pé pelas mãos cuidadosas do jardineiro.
Veio, gentil como sempre. Trouxe flores para se desculpar pela demora.
Ela o esperava há cinco meses. Desde a última vez que se viram.
Voyage. Voyage.
Agora de frente a ele não se lembra porque foi parar ali.
Ao menos não sente arrependimento.
Pegou o carro e nenhum sinal o fez parar.
Acelerou na sua direção, sem pensar.
Seria em vão essa busca sem freios por um momento acolhedor?
Pega em sua mão como se já fosse sua.
Sem tempo para reclames ou anunciações.
Ele já veio. Ela não pode pedir mais nada.
Se sente impotente para dizer. Mas ele decifra o que fica no silêncio.
A olha do avesso sem parecer ser mais tão íntimo.
As palavras se perdem nesse embaraço. Não escuta respostas.
Por segundos, se sentem duas crianças que não sabem mentir ou mesmo onde por as mãos.
Queria ter retribuído. Fazer com que ele também se sentisse confortável.
Ele não estava muito pra romances: conversas ao ouvido, carinho no rosto, o tudo mais que mereça ganhar e perder nessas horas.
Queria ter dado mais dela. Embora seu coração já fosse todo dele.
O homem da casa. A mulher das portas abertas.
Ela agradece pela visita. Ficou lisonjeada.
Mas desconhece completamente os motivos dele não ficar mais.
Agora se sente triste, pois se deu conta de quantas flores mortas já ganhou.
Flores, mortas.
Exalando seu cheiro, cores, e provocando sensações como num último suspiro de vida.
Elas sabem que já estão mortas, ainda que tenham sido tiradas do pé pelas mãos cuidadosas do jardineiro.
Veio, gentil como sempre. Trouxe flores para se desculpar pela demora.
Ela o esperava há cinco meses. Desde a última vez que se viram.
Voyage. Voyage.
Agora de frente a ele não se lembra porque foi parar ali.
Ao menos não sente arrependimento.
Pegou o carro e nenhum sinal o fez parar.
Acelerou na sua direção, sem pensar.
Seria em vão essa busca sem freios por um momento acolhedor?
Pega em sua mão como se já fosse sua.
Sem tempo para reclames ou anunciações.
Ele já veio. Ela não pode pedir mais nada.
Se sente impotente para dizer. Mas ele decifra o que fica no silêncio.
A olha do avesso sem parecer ser mais tão íntimo.
As palavras se perdem nesse embaraço. Não escuta respostas.
Por segundos, se sentem duas crianças que não sabem mentir ou mesmo onde por as mãos.
Queria ter retribuído. Fazer com que ele também se sentisse confortável.
Ele não estava muito pra romances: conversas ao ouvido, carinho no rosto, o tudo mais que mereça ganhar e perder nessas horas.
Queria ter dado mais dela. Embora seu coração já fosse todo dele.
O homem da casa. A mulher das portas abertas.
Ela agradece pela visita. Ficou lisonjeada.
Mas desconhece completamente os motivos dele não ficar mais.
Agora se sente triste, pois se deu conta de quantas flores mortas já ganhou.
Chose de la vie
Na virada no ano, Hellen não pulou ondas, não se vestiu de branco e nem comeu uvas. Tudo que esperavam dela era que fosse ao enterro da avó, mas ela também não foi. Até hoje nem ela sabe o porquê.
Mesmo assim, nascida no dia 08/08 tinha certeza que 2008 era o seu ano.
O ano da sorte para mulheres, morenas de cabelos loiros, e noivas.
Por isso, munida de esperança e uma tinta Loreal 7.31 foi para Porto Seguro passar suas férias.
Era tempo de se aventurar. A primeira providência foi tentar um curso de mergulho. Logo na primeira tentativa mareada, não agüentou 20 minutos de escuna sem vomitar. Agora era só esperar mais 4 horas. O estômago revirava de um lado para o outro como se dissesse: a água tá fria, você não está boa, esse modelito não te caiu tão bem, larga de ser atrevida.
Em outros tempos ela desistiria fácil. Mas de repente surgiu do fundo do mar um sereio (leia-se: instrutor gato, sarado e tatuado) que a baleinha não pensou em mais nada e tibun (som das águas em uma simulação de um quase maremoto).
Mais um aviso dos céus, ou melhor, dos mares. Embora Hellen, pela primeira vez na vida, não tenha mentido o peso, também não conseguiu afundar com o equipamento fornecido.
O instrutor com os braços já dormentes consegue depois de 20 minutos auxiliá-la no mergulho.
Dá sinal de OK (sua cara não vai ficar mais roxa de vergonha).
Há 8 metros de profundidade, enquanto peixes coloridos dançavam entre suas pernas como se cantassem a música da Pequena Sereia, o gás da bomba acaba. Ela não consegue mais respirar.
Dá sinal para o instrutor subir. Ele finge não vê.
Dá sinal para ele se foder e largar de ser imbecil. Ele não entende.
Ela consegue escapar dos braços dele e em segundos sobe sozinha.
Puf: um tímpano.
Puf. Puf : o outro.
Alívio. Tira a máscara. Respira.
No outro dia ela vai em um show da Ivete e não entende porque ela encarnou o Tim Maia. Mas aí já é outra história. Agora estava surda e certamente excluída da sociedade.
Na volta da viagem sentou ao lado de uma velhinha que não parou de falar durante 18 horas. Hellen não escutou uma palavra. Isso é um sonho, ela pensava. Enfim, seu sonho realizado havia se tornado uma conversa entre iguais: duas completas surdas.
Chegou em Goiânia. Preparou seu melhor vestido que realçasse seu bronzeado. Retocou a maquiagem. Detalhes. Homens não reparam nisso.
Ela ligou, ligou, ligou. E ele não atendeu. Nenhum sinal do seu noivo. Onde ele se meteu? Não sabia que ela estava chegando?
Duas amigas apareceram de surpresa. Já mulheres reparam em tudo.
Falaram das unhas por fazer, do cabelo seco nas pontas, das pernas sem depilar e principalmente da calça que não mais fechava.
Enquanto isso o tempo foi passando e nem sinal do noivo.
Enfrentaram um cinema com cara de sessão da tarde e decidiu chorar da apresentação aos créditos. Saiu do filme com dois bolsões imensos embaixo dos olhos. E olha a coincidência, finalmente Hellen achou o noivo. Estavam no mesmo cinema: ele, ela, as amigas e uma menina que ela nunca viu na vida mas reza até hoje pra ser alguma prima dele que veio de uma cidadezinha distante do interior.
Volta a São Paulo. Duas horas e cinqüenta e seis minutos de atraso do ônibus. Desce na rodoviária com duas malas pesadíssimas. Situação nada confortável. Uma alcinha arrebenta. Tropeça no moço da frente que ainda descia os degraus. Mais um joelho ralado para a sua coleção. Calcinhas voando para todo lado. Seu MP3 já era, espatifou-se pelo chão. Também não precisava mais dele. Estava surda, lembra?
Pegou 1 ônibus, 1 metrô, outro ônibus e ainda andou 7 quarteirões até a sua casa. Faltando apenas 2, um bonitão, bad boy, mal encarado, 1 metro e 92, cabelos pretos e olhos mel passou por ela.
- Deu pra ver a cor dos olhos? Pergunta a perícia.
- Deu sim. Foi quando ele disse: já era, peguei.
E eu encarei ele bem de frente dizendo: não pegou não, essa bolsa é minha.
- E ele só te roubou? Ainda bem.
Ainda bem? (pensou ela quando não tinha mais forças para desafiar o guardinha mas estava munida de muito ódio).
- É, ainda bem que só levaram todos os meus documentos, minha correntinha de ouro, um relógio, o celular, um pen drive, sua sombrinha e 200 reais em dinheiro.
Ainda bem. Ela pensa todos os dias quando sai para a rua sem identidade, dinheiro, cartão de crédito, sem contato, sem a chance do Raul Gil lhe chamar para cantar no programa de calouros, sem os trabalhos que guardava no pen drive para fazer seu portifólio, sem emprego ou mesmo qualquer chance de ir pra Letônia. Where the fuck is this? Um lugarzinho muito, muito frio, bem distante daqui, entre a Rússia e Berlim, onde talvez chova menos (não agüenta mais fazer escova, e a chapinha derreteu com a voltagem errada).
Hellen engordou 9 quilos em apenas 1 mês. Brigou com os colegas que dividiam o apartamento, encaixotou suas coisas, pintou o cabelo de azul e sábado vai fazer mudança.
Mas até lá muita coisa pode acontecer. Hoje, por exemplo, recebeu um convite para o chá de panela do seu próprio noivo. Será que o amor da sua vida vai mesmo se casar com a prima?
Mesmo assim, nascida no dia 08/08 tinha certeza que 2008 era o seu ano.
O ano da sorte para mulheres, morenas de cabelos loiros, e noivas.
Por isso, munida de esperança e uma tinta Loreal 7.31 foi para Porto Seguro passar suas férias.
Era tempo de se aventurar. A primeira providência foi tentar um curso de mergulho. Logo na primeira tentativa mareada, não agüentou 20 minutos de escuna sem vomitar. Agora era só esperar mais 4 horas. O estômago revirava de um lado para o outro como se dissesse: a água tá fria, você não está boa, esse modelito não te caiu tão bem, larga de ser atrevida.
Em outros tempos ela desistiria fácil. Mas de repente surgiu do fundo do mar um sereio (leia-se: instrutor gato, sarado e tatuado) que a baleinha não pensou em mais nada e tibun (som das águas em uma simulação de um quase maremoto).
Mais um aviso dos céus, ou melhor, dos mares. Embora Hellen, pela primeira vez na vida, não tenha mentido o peso, também não conseguiu afundar com o equipamento fornecido.
O instrutor com os braços já dormentes consegue depois de 20 minutos auxiliá-la no mergulho.
Dá sinal de OK (sua cara não vai ficar mais roxa de vergonha).
Há 8 metros de profundidade, enquanto peixes coloridos dançavam entre suas pernas como se cantassem a música da Pequena Sereia, o gás da bomba acaba. Ela não consegue mais respirar.
Dá sinal para o instrutor subir. Ele finge não vê.
Dá sinal para ele se foder e largar de ser imbecil. Ele não entende.
Ela consegue escapar dos braços dele e em segundos sobe sozinha.
Puf: um tímpano.
Puf. Puf : o outro.
Alívio. Tira a máscara. Respira.
No outro dia ela vai em um show da Ivete e não entende porque ela encarnou o Tim Maia. Mas aí já é outra história. Agora estava surda e certamente excluída da sociedade.
Na volta da viagem sentou ao lado de uma velhinha que não parou de falar durante 18 horas. Hellen não escutou uma palavra. Isso é um sonho, ela pensava. Enfim, seu sonho realizado havia se tornado uma conversa entre iguais: duas completas surdas.
Chegou em Goiânia. Preparou seu melhor vestido que realçasse seu bronzeado. Retocou a maquiagem. Detalhes. Homens não reparam nisso.
Ela ligou, ligou, ligou. E ele não atendeu. Nenhum sinal do seu noivo. Onde ele se meteu? Não sabia que ela estava chegando?
Duas amigas apareceram de surpresa. Já mulheres reparam em tudo.
Falaram das unhas por fazer, do cabelo seco nas pontas, das pernas sem depilar e principalmente da calça que não mais fechava.
Enquanto isso o tempo foi passando e nem sinal do noivo.
Enfrentaram um cinema com cara de sessão da tarde e decidiu chorar da apresentação aos créditos. Saiu do filme com dois bolsões imensos embaixo dos olhos. E olha a coincidência, finalmente Hellen achou o noivo. Estavam no mesmo cinema: ele, ela, as amigas e uma menina que ela nunca viu na vida mas reza até hoje pra ser alguma prima dele que veio de uma cidadezinha distante do interior.
Volta a São Paulo. Duas horas e cinqüenta e seis minutos de atraso do ônibus. Desce na rodoviária com duas malas pesadíssimas. Situação nada confortável. Uma alcinha arrebenta. Tropeça no moço da frente que ainda descia os degraus. Mais um joelho ralado para a sua coleção. Calcinhas voando para todo lado. Seu MP3 já era, espatifou-se pelo chão. Também não precisava mais dele. Estava surda, lembra?
Pegou 1 ônibus, 1 metrô, outro ônibus e ainda andou 7 quarteirões até a sua casa. Faltando apenas 2, um bonitão, bad boy, mal encarado, 1 metro e 92, cabelos pretos e olhos mel passou por ela.
- Deu pra ver a cor dos olhos? Pergunta a perícia.
- Deu sim. Foi quando ele disse: já era, peguei.
E eu encarei ele bem de frente dizendo: não pegou não, essa bolsa é minha.
- E ele só te roubou? Ainda bem.
Ainda bem? (pensou ela quando não tinha mais forças para desafiar o guardinha mas estava munida de muito ódio).
- É, ainda bem que só levaram todos os meus documentos, minha correntinha de ouro, um relógio, o celular, um pen drive, sua sombrinha e 200 reais em dinheiro.
Ainda bem. Ela pensa todos os dias quando sai para a rua sem identidade, dinheiro, cartão de crédito, sem contato, sem a chance do Raul Gil lhe chamar para cantar no programa de calouros, sem os trabalhos que guardava no pen drive para fazer seu portifólio, sem emprego ou mesmo qualquer chance de ir pra Letônia. Where the fuck is this? Um lugarzinho muito, muito frio, bem distante daqui, entre a Rússia e Berlim, onde talvez chova menos (não agüenta mais fazer escova, e a chapinha derreteu com a voltagem errada).
Hellen engordou 9 quilos em apenas 1 mês. Brigou com os colegas que dividiam o apartamento, encaixotou suas coisas, pintou o cabelo de azul e sábado vai fazer mudança.
Mas até lá muita coisa pode acontecer. Hoje, por exemplo, recebeu um convite para o chá de panela do seu próprio noivo. Será que o amor da sua vida vai mesmo se casar com a prima?
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